Experiência do Paciente

O que os pacientes pedem durante a internação: análise de 522 solicitações reais

Por Roberto Pinheiro · Publicado em · 7 min de leitura

Quando se fala em atendimento beira-leito, a imagem mais comum é a do paciente apertando a campainha e esperando a enfermagem. Mas o que, exatamente, ele quer quando chama? Sem registro, a resposta costuma ser um palpite.

Entre agosto de 2024 e abril de 2025, a MOARA, concierge hospitalar digital da Amiko Soluções, registrou 522 solicitações de pacientes e acompanhantes na Santa Casa de Misericórdia de Passos (MG). Como cada pedido foi feito por escrito, com as palavras do próprio paciente, foi possível ver com clareza o que acontece no leito.

Para onde vão os pedidos

A distribuição por área mostra que a maior parte do que o paciente pede não é tarefa da enfermagem:

  • 30,1% foram resolvidos pela própria assistente, sem intervenção humana (157 pedidos);
  • 28,1% eram de enfermagem;
  • 23,9% eram de hotelaria (limpeza, água, enxoval);
  • 17,8% eram de apoio assistencial.

Somando os 157 pedidos resolvidos automaticamente e os 218 enviados diretamente às equipes complementares, 71,8% das interações deixaram de ser intermediadas pela enfermagem. Com uma campainha comum, todas elas teriam passado primeiro pelo posto de enfermagem.

As frases mais comuns

Para a enfermagem, os pedidos mais frequentes foram diretos: “Acabou o soro”, “Estou com dor”, “Quero ir ao banheiro”. Para hotelaria e nutrição: “Solicitar uma coberta”, “Pode chamar a limpeza?”, “Quero pedir um lanche”.

Entre os pedidos que a própria MOARA resolveu estavam perguntas como “Qual horário do almoço?”, “Como entro na internet?”, “Que horas posso receber visita?” e “Queria saber se o café já foi servido”. São dúvidas simples, mas, sem um canal próprio, cada uma delas ocupa alguém da equipe.

O paciente também pede acolhimento

Um achado que não aparece em nenhuma planilha de campainha: frases como “Estou triste”, “Quero conversar com alguém” e “Queria ligar para minha mãe”. Nos fins de semana, as interações de conforto emocional ganharam peso.

Esse tipo de mensagem não deve ser respondido apenas por um sistema. O papel da tecnologia é tornar o pedido visível para que a equipe certa — enfermagem, psicologia, capelania ou serviço social — possa agir.

Quando os pedidos acontecem

Os picos ficaram entre 9h e 11h e entre 18h e 20h. Nos dias úteis predominaram higiene, refeições e ajustes de quarto. Na pediatria, depois da migração para o WhatsApp, a interação foi especialmente alta — os pais passaram a pedir pelo celular sem sair do lado da criança.

O pedido que ninguém esperava: controlar o quarto

Mesmo sem integração com os equipamentos do quarto durante o piloto, apareceram muitos pedidos como “Está muito quente aqui, pode diminuir o ar?”, “A luz está forte” e “Pode baixar o volume da televisão?”. O sinal é claro: o paciente quer mais autonomia sobre o ambiente. No Hospital São Lucas (BH), a MOARA já opera por voz controlando iluminação e ar-condicionado.

O que fazer com esses dados

Para gestores de enfermagem, hotelaria e experiência do paciente, quatro lições práticas:

  • Dimensione as equipes pelos picos reais (manhã e início da noite), não pela média do dia;
  • Tire da enfermagem o que não é assistencial: hotelaria e dúvidas representam boa parte do volume;
  • Publique as informações mais perguntadas (refeições, visitas, internet) em um canal que responda sozinho;
  • Crie um fluxo para pedidos emocionais, com responsável definido.
Sobre o autor

Roberto Pinheiro é engenheiro de Controle e Automação pelo INATEL e fundador da Amiko Soluções, healthtech criadora da MOARA, concierge hospitalar digital e assistente virtual beira-leito. Saiba mais em Sobre a Amiko.

Perguntas frequentes

Quais são os pedidos mais comuns de pacientes internados?

Na análise de 522 solicitações feitas à MOARA na Santa Casa de Passos, os pedidos mais comuns foram dúvidas sobre a rotina (refeições, visitas, internet), pedidos de enfermagem (soro, dor, banheiro) e de hotelaria (coberta, limpeza, lanche).

Qual a porcentagem de chamados de pacientes que não são da enfermagem?

No piloto de Passos, apenas 28,1% dos pedidos eram de enfermagem. Somando respostas automáticas e pedidos encaminhados diretamente a outras equipes, 71,8% das interações não precisaram passar pela enfermagem.

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